Tenta primeiroCada alínea tem o seu botão “Ver resolução”. Abre só quando quiseres confirmar.
Escolha múltipla interativaCarrega numa opção e vês logo se acertaste, com a explicação.
Armadilhas assinaladasOs erros mais comuns em teste estão marcados a laranja.
Partilha um exercícioO botão de partilha copia o link direto para esse exercício.
Resoluções não oficiais, feitas para estudar. Em caso de dúvida, confirma com o professor. Encontraste um erro? Diz no grupo da turma. O teu progresso fica guardado só neste dispositivo.
Numa economia mista, o que produzir e quanto produzir são determinados por:
Numa economia mista, a maior parte das decisões é tomada pelos mercados (preços, oferta e procura), mas o Estado também intervém: produz bens públicos, regula e redistribui.
As opções a), b) e c) descrevem formas de planeamento central, que é o modelo oposto.
A Economia estuda os indivíduos e as organizações da sociedade em termos da:
A Economia estuda como a sociedade gere recursos escassos para produzir, distribuir e consumir bens e serviços. As três atividades fazem parte da definição.
A escassez existe em todas as sociedades porque há:
A escassez é o desfasamento entre necessidades ilimitadas e recursos limitados. Não há recursos para satisfazer tudo o que as pessoas querem, por isso é preciso escolher.
Na b), com capacidades de produção ilimitadas, não haveria escassez.
Identifique cada afirmação como Economia Positiva (P) ou Normativa (N) e justifique em uma linha.
Se a frase pode ser confirmada ou refutada com dados, é positiva, mesmo que seja falsa. Se exprime um juízo de valor (“deve”, “devíamos”, “injusto”, “não faz sentido”), é normativa.
1
“A economia portuguesa cresceu 1,3% no último trimestre.”
É um dado mensurável (taxa de crescimento), que se pode verificar.
2
“O preço das rendas em Lisboa é o dobro do que era há 13 anos.”
É uma comparação de preços que se pode verificar com dados.
3
“Fumar custa 153 milhões de euros ao SNS por ano.”
É um custo quantificável; pode ser verificado (ou refutado).
4
“O Estado deve proibir fumar em todos os espaços públicos.”
“Deve proibir” é uma recomendação, um juízo sobre o que devia ser.
5
“Os preços mais altos nos transportes estimulam o uso do carro.”
Parece uma opinião, mas é uma relação causa–efeito que se pode testar com dados.
6
“Não faz sentido investir nos transportes públicos.”
“Não faz sentido” é um juízo de valor.
7
“Devíamos taxar os mais ricos para investir nos Serviços Públicos.”
“Devíamos” indica uma recomendação.
8
“Um aumento de 2% no IDE está associado a um crescimento de 0,5%.”
É uma associação estatística, verificável com dados.
Se o custo de um computador baixar muito, temos um maior incentivo para:
As pessoas respondem a incentivos: quando o preço de um bem desce, comprá-lo custa menos, por isso aumenta o incentivo para o comprar (lei da procura).
Nas últimas décadas, as empresas produtoras de câmaras fotográficas começaram a produzir menos câmaras de 35 mm e mais câmaras digitais. Esta tendência é um exemplo:
Os consumidores passaram a preferir câmaras digitais. Os preços e os lucros sinalizaram isso às empresas, que mudaram a produção sem ninguém o planear centralmente.
Qual dos seguintes elementos NÃO é um elemento económico escasso?
Trabalho, capital, terra e recursos naturais são recursos (fatores de produção) escassos. As necessidades humanas são o contrário: são ilimitadas. É precisamente por isso que existe escassez.
Secção BCusto de Oportunidade e Decisões em Escassez
Tem de decidir se vai de férias. A viagem custa 2.000€. Enquanto está de férias, não se apresenta ao trabalho, onde poderia ter ganho 750€. O custo de oportunidade das férias é:
O custo de oportunidade inclui tudo o que se sacrifica: o dinheiro gasto na viagem e o salário que se deixa de ganhar.
Armadilha: a b) (750€) só conta o salário perdido; a d) (2.000€) só conta o dinheiro gasto. Os dois fazem parte do sacrifício.
Acha mais provável ir de Lisboa ao Porto para obter 10% de desconto em qual dos seguintes artigos?
O custo da viagem Lisboa–Porto (tempo, combustível ou bilhete) é o mesmo qualquer que seja o artigo. O benefício é 10% do preço, por isso só compensa num bem caro: 10% de um fogão de 500€ são 50€, 10% de um lápis são cêntimos.
Ideia-chave: compara-se o benefício e o custo em euros, não em percentagens.
Suponha que, em vez de comer no campus, pode comer fora.
a)Além do preço, que outro fator poderá estar a impedi-lo? Podemos interpretá-lo como um custo?
O tempo (e o esforço) da deslocação. Esse tempo podia ser usado a estudar, descansar ou trabalhar, por isso é um custo: um custo de oportunidade, mesmo que não se pague em dinheiro.
b)Se uma refeição idêntica custa menos 1€ em Benfica mas decide comer na faculdade, o que isso diz sobre esse custo?
Revela que, para si, o custo de ir a Benfica (tempo + transporte + incómodo) é superior a 1€. As escolhas que fazemos mostram quanto valorizamos o nosso tempo.
Tem uma oficina (comprada por 100.000€ há 5 anos), máquinas (50.000€ há 2 anos, amortização de 10.000€/ano) e taxas anuais de 15.000€. Surge um novo cliente: receitas de 100.000€, exige novas máquinas de 20.000€ e 2 trabalhadores a 25.000€ cada. Já pagou 2.500€ de publicidade.
Para cada custo, pergunta: este custo muda consoante eu aceite ou não o cliente? Só os que mudam são relevantes.
a)Quais são os custos relevantes para a decisão?
Só existem se aceitar o cliente:
Novas máquinas: 20.000€
2 trabalhadores: €
Total de custos relevantes: 70.000€.
b)Quais são os custos irrecuperáveis?
Já foram pagos e não se recuperam, aceite ou não:
Oficina (100.000€)
Máquinas antigas (50.000€). A amortização de 10.000€/ano é só a forma contabilística de repartir esse gasto passado.
Publicidade já paga (2.500€)
As taxas anuais (15.000€) pagam-se em qualquer caso, por isso também não entram na decisão.
c)Qual o ganho líquido no primeiro ano se aceitar?
O ganho é positivo, por isso deve aceitar o cliente.
A universidade pondera abrir um novo curso. Três funcionários (salários combinados de 100.000€) seriam transferidos para o curso. O custo adicional do curso são materiais de 30.000€. O curso geraria 120.000€ em propinas. Deve avançar?
Os salários dos 3 funcionários (100.000€) já são pagos hoje pela universidade, com ou sem curso novo: os funcionários são apenas transferidos. Não são um custo adicional desta decisão.
Custo adicional: 30.000€ (materiais)
Benefício adicional: 120.000€ (propinas)
Sim, deve avançar.
Armadilha: se contares os salários, obténs € e concluis erradamente que não compensa. Os salários só contariam se a transferência fizesse a universidade perder o que esses funcionários faziam antes.
O seu carro custou 5.000€ há sete anos e já não funciona bem. Opções: (a) gastar 1.000€ na reparação e vendê-lo por 4.500€; (b) vendê-lo como está por 2.500€. Qual a decisão racional? Justifique usando o conceito de custo irrecuperável.
Os 5.000€ pagos há 7 anos são um custo irrecuperável: estão gastos qualquer que seja a opção, por isso ignoram-se.
(a) Reparar e vender: €
(b) Vender como está: €
Decisão racional: reparar e vender, porque fica com mais 1.000€. Em termos marginais: a reparação custa 1.000€ e aumenta o valor de venda em 2.000€.
É proprietário de uma casa que lhe custou 150.000€. Pode melhorá-la por 75.000€ e arrendá-la a 6 estudantes por 15.600€/ano, ou vendê-la já por 200.000€.
a)Se escolher arrendar, qual a taxa de retorno anual sobre o investimento adicional?
O investimento adicional são as obras (75.000€):
b)O que deve fazer?
Os 150.000€ que a casa custou são irrecuperáveis. O que interessa é o que a casa vale hoje (200.000€).
Ao arrendar, gasta 75.000€ e abdica de receber 200.000€ pela venda. O capital realmente “empatado” é €:
Deve comparar estes 5,7% com o retorno da melhor alternativa (por exemplo, um depósito ou outro investimento). Se a alternativa render menos de 5,7%, arrendar compensa; se render mais, deve vender.
Armadilha: os 20,8% parecem um ótimo negócio porque esquecem que a casa podia ser vendida. A decisão faz-se com todo o capital em jogo, incluindo o custo de oportunidade de não vender.
Um clube de ténis aluga 4 campos cobertos a sócios por 450€/ano. Uma escola propôs pagar 7,50€ por hora e por campo para os usar durante o dia (6 horas por dia, 200 dias por ano). Os campos continuam disponíveis para os sócios à noite e ao fim de semana. Deve aceitar?
Receita adicional da proposta:
Os sócios usam os campos à noite e ao fim de semana, que continuam livres. Durante o dia os campos estariam vazios, por isso o custo de oportunidade de os alugar à escola é praticamente zero, e as quotas dos sócios não mudam.
Deve aceitar, desde que os custos extra (limpeza, desgaste, iluminação) sejam inferiores a 36.000€ por ano.
A Mariana (25 anos) pode, em agosto: (A) trabalhar como assistente de investigação e ganhar 1.000€; ou (B) ir de férias ao Algarve, com um custo de 500€. Para ela, as férias valem até 1.100€.
a)Qual o custo de oportunidade de escolher as férias?
Ao ir de férias, paga 500€ e deixa de ganhar 1.000€:
b)Qual a escolha racional? Justifique.
As férias valem 1.100€ para ela, menos do que o custo de oportunidade de 1.500€. Escolha racional: trabalhar.
Em ganhos líquidos: férias € contra trabalho 1.000€.
c)Para que custo das férias ela estaria indiferente entre as duas opções?
Seja o custo das férias. Fica indiferente quando o ganho líquido das férias iguala o salário:
Uma empresa mineira já investiu 2M€ na mina A. Para a explorar, tem de gastar mais 1M€ e espera receitas de 4M€. Em alternativa, pode explorar a mina B: gasta 4M€ e espera receitas de 8M€.
a)Identifique os custos irrecuperáveis.
Os 2M€ já investidos na mina A. Estão gastos, qualquer que seja a decisão.
b)Qual o benefício líquido de explorar A, face a não fazer nada?
c)Qual o benefício líquido de explorar B, face a não fazer nada?
d)Qual a mina a explorar? Justifique ignorando os sunk costs.
A mina B, porque o benefício líquido daqui para a frente é maior (4M€ contra 3M€). Os 2M€ da mina A estão perdidos em qualquer caso.
Armadilha: “já gastámos 2M€ em A, não podemos desistir” é a falácia do custo irrecuperável. Aqui o resultado não mudava, mas o raciocínio estaria errado.
A economia do país Z produz apenas armamento () e saúde (). A fronteira de possibilidades de produção é .
Calcula os extremos: só armamento () e só saúde ().
a)Qual o custo de oportunidade de aumentar a produção de Saúde em 1 unidade?
O declive da FPP é : por cada unidade a mais de Saúde, abdica-se de 4 unidades de Armamento. Como a FPP é uma reta, este custo é constante.
b)O ponto está na FPP, dentro ou fora? O que significa economicamente?
Para : . O ponto está sobre a FPP.
É um ponto eficiente: usa todos os recursos, e não é possível produzir mais de um bem sem produzir menos do outro.
c)Um progresso tecnológico apenas na produção de Saúde desloca a FPP? Como?
Sim. A FPP roda para fora, mantendo o ponto do eixo do Armamento: o máximo de Armamento continua a ser 200, mas o máximo de Saúde aumenta (por exemplo, de 50 para 70).
A reta fica menos inclinada, por isso o custo de oportunidade da Saúde diminui.
O preço do gasóleo subiu 30% no último ano. Para cada agente económico, identifique pelo menos um incentivo criado por esta alteração e a provável mudança de comportamento.
1.Condutor particular.
Conduzir fica mais caro. Tem incentivo para usar menos o carro (transportes públicos, boleias, bicicleta) e, quando trocar de carro, escolher um mais eficiente ou elétrico.
2.Empresa de transportes rodoviários.
Os custos sobem. Tem incentivo para otimizar rotas, encher mais os camiões, renovar a frota e passar parte do aumento para o preço dos fretes.
3.Produtor de veículos elétricos.
O substituto (carro a gasóleo) ficou mais caro, por isso a procura de elétricos aumenta. Tem incentivo para produzir mais, investir em capacidade e, possivelmente, subir preços.
4.Governo português.
A receita de impostos sobre combustíveis (ISP e IVA) aumenta, mas há pressão social. Tem incentivo para baixar temporariamente o ISP, apoiar os transportes públicos ou subsidiar a mobilidade elétrica.
A curva da procura de abacates em Portugal é e a curva da oferta é .
No equilíbrio, . Resolve em ordem a e substitui numa das curvas para obter .
a)Qual o preço e a quantidade de equilíbrio?
b)A procura passa a . Que acontecimento justifica esta alteração? Qual o novo preço de equilíbrio?
A cada preço, procuram-se menos 30 unidades: a procura deslocou-se para a esquerda. Possíveis causas: descida do rendimento dos consumidores (sendo um bem normal), descida do preço de um bem substituto, uma notícia negativa ou uma mudança de gostos.
Procura → esquerdaP ↓ desceQ ↓ desce
c)Com as novas curvas, qual a quantidade de equilíbrio?
A procura caiu, por isso o preço e a quantidade descem.
Um aumento do custo das matérias-primas necessárias à produção de papel vai afetar o mercado do papel da seguinte forma:
Matérias-primas mais caras tornam a produção mais cara, por isso a cada preço os produtores oferecem menos: a oferta desloca-se para a esquerda. A procura não muda, porque nada mudou do lado dos compradores.
Num mercado em equilíbrio, ambas as curvas (oferta e procura) deslocam-se para a direita. Nestas condições:
A procura para a direita faz subir e . A oferta para a direita faz descer e subir . As duas aumentam , mas puxam em sentidos opostos: o efeito no preço depende de qual se desloca mais.
Se os bens X e Y forem substitutos, uma redução do preço do bem X deverá:
X ficou mais barato, por isso os consumidores trocam Y por X. A procura de Y desloca-se para a esquerda, e no mercado de Y descem o preço e a quantidade.
Se os bens X e Y forem complementares, uma redução do preço do bem X deverá:
X mais barato leva a comprar mais X e, como se usa em conjunto com Y, também mais Y. A procura de Y desloca-se para a direita: o preço e a quantidade de Y sobem.
Analise o impacto provável de cada acontecimento no respetivo mercado: que curva se desloca, em que direção, e o efeito no preço e na quantidade de equilíbrio.
Com dois choques ao mesmo tempo, uma das variáveis ( ou ) fica sempre ambígua: a que os dois choques puxam em sentidos opostos.
a)Falta de chuva leva a menor produção de azeite.
A oferta de azeite desloca-se para a esquerda. O preço sobe e a quantidade desce.
Azeite
Oferta → esquerdaP ↑ sobeQ ↓ desce
b)Um estudo liga a carne de porco a riscos de saúde.
Os consumidores passam a querer menos carne de porco: a procura desloca-se para a esquerda. O preço e a quantidade descem.
Carne de porco
Procura → esquerdaP ↓ desceQ ↓ desce
c)A UE permite a importação de câmaras fotográficas chinesas mais baratas.
Há mais vendedores no mercado europeu: a oferta desloca-se para a direita. O preço desce e a quantidade sobe.
Câmaras
Oferta → direitaP ↓ desceQ ↑ sobe
d)Chegada de 2 milhões de peregrinos a Lisboa (mercado do alojamento).
A procura de alojamento desloca-se para a direita. O preço e a quantidade sobem.
Alojamento
Procura → direitaP ↑ sobeQ ↑ sobe
e)Mercado dos carros: o preço da gasolina desce e há problemas no fornecimento de peças.
A gasolina é complementar do carro: mais barata, aumenta a procura de carros (direita). A falta de peças limita a produção: a oferta desloca-se para a esquerda.
Os dois choques fazem subir o preço. A quantidade é ambígua, porque os choques a puxam em sentidos opostos.
g)Painéis solares: o custo do gás sobe e o custo de produção dos painéis desce.
O gás é um substituto da energia solar: mais caro, aumenta a procura de painéis (direita). Custos de produção mais baixos deslocam a oferta para a direita.
Qual das situações NÃO provoca um deslocamento da curva da procura?
Uma variação do preço do próprio bem provoca um movimento ao longo da curva da procura, não uma deslocação da curva. Rendimento, preferências e preços de outros bens deslocam a curva.
Armadilha clássica: “variação da quantidade procurada” (ao longo da curva) não é o mesmo que “variação da procura” (deslocação da curva).
Num mercado com equilíbrio a 500€ e 1.000 unidades, é imposto um preço máximo de 300€. O que esperamos?
Com o preço mais baixo, a quantidade procurada sobe acima de 1.000 e a quantidade oferecida desce abaixo de 1.000: há escassez. A c) diz o contrário do que acontece aos produtores.
Num mercado com equilíbrio a 500€ e 1.000 unidades, é imposto um preço mínimo de 700€. O que esperamos?
A 700€, os produtores querem vender mais de 1.000 unidades e os consumidores querem comprar menos de 1.000: há excedente. O preço não pode descer, porque é proibido vender abaixo de 700€.
As viagens aéreas vão melhorar em qualidade (comida, espaço, pontualidade). Noutra perspetiva de controlo de preços, o que podemos esperar se o preço ficar regulado?
É o caso inverso das pizzas (Ex. 17). Se o preço for fixado acima do equilíbrio (preço mínimo), há excesso de oferta: as companhias querem vender mais lugares do que os passageiros procuram. Como não podem baixar o preço para atrair clientes, competem pela qualidade. Foi o que aconteceu com a aviação regulada nos EUA.
Para fixar: preço máximo abaixo do equilíbrio faz a qualidade descer (pizzas mais pequenas); preço mínimo acima do equilíbrio faz a qualidade subir (aviões mais confortáveis).
No mercado de batatas fritas, com equilíbrio a 2,50€, foi fixado um preço máximo de 2€. O que esperamos?
I A quantidade procurada irá aumentar.
II Os produtores irão reduzir a oferta.
III Forma-se uma fila para comprar.
I: com um preço mais baixo, a quantidade procurada sobe (movimento ao longo da procura).
II: com um preço mais baixo, os produtores vendem menos (movimento ao longo da oferta).
III: há mais gente a querer comprar do que batatas à venda, por isso o racionamento faz-se por filas (ou por outros meios que não o preço).
Nota de rigor: o correto seria dizer que diminui a quantidade oferecida, não “a oferta” (a curva não se desloca). Mas não existe a opção “I e III”, por isso a resposta pretendida é a c).
Explique as seguintes frases usando o modelo da oferta e da procura.
a)Uma vaga de frio em Lamego em maio aumenta o preço das cerejas.
O frio estraga a floração e a produção cai: a oferta de cerejas desloca-se para a esquerda. O preço sobe e a quantidade desce.
Cerejas
Oferta → esquerdaP ↑ sobeQ ↓ desce
b)Numa guerra no Médio Oriente, o preço do petróleo sobe.
A guerra ameaça ou interrompe a produção e o transporte de petróleo: a oferta desloca-se para a esquerda. O preço sobe e a quantidade desce. Pode juntar-se procura por precaução (as pessoas e os países fazem reservas), que reforça a subida do preço.
Petróleo
Oferta → esquerdaP ↑ sobeQ ↓ desce
c)Em vésperas de um evento musical em Lisboa, os preços dos hotéis sobem.
O evento atrai visitantes: a procura de quartos desloca-se para a direita. Como o número de quartos é quase fixo no curto prazo (oferta muito inelástica), o ajustamento faz-se sobretudo pelo preço: sobe muito, e a quantidade quase não muda.
. Uso a variação percentual face ao valor inicial; entre parênteses fica o resultado pelo método do ponto médio, caso seja esse o das aulas.
a)Calcule a elasticidade-preço da procura de cada grupo quando o preço sobe de 200 para 250€.
Pelo ponto médio: .
Pelo ponto médio: .
A procura dos executivos é inelástica. A dos turistas é muito mais sensível ao preço: unitária pelo método simples, elástica pelo ponto médio.
b)Por que têm elasticidades diferentes?
Os executivos viajam por trabalho, em datas fixas, e muitas vezes é a empresa que paga: têm poucas alternativas. Os turistas podem mudar de destino, de data ou de transporte, ou simplesmente não viajar.
c)Que grupo deve uma companhia aérea visar com uma promoção de desconto? Justifique.
Os turistas. Com procura elástica, uma descida do preço aumenta muito a quantidade e a receita sobe. Baixar o preço aos executivos só reduziria a receita, porque viajariam praticamente o mesmo. É a lógica dos bilhetes baratos com antecedência (turistas) e dos bilhetes flexíveis e caros (executivos).
O mercado de arrendamento em Lisboa é e (arrendamentos mensais).
Atenção às unidades: se estivesse em euros, a renda de equilíbrio seria 20€ e um teto de 800€ não teria efeito. O enunciado só faz sentido com em centenas de euros ( corresponde a 800€). É o que se assume aqui.
a)Qual o preço e a quantidade de equilíbrio?
Ou seja, uma renda de 2.000€ e 1.000 arrendamentos.
b)O governo congela as rendas num valor máximo de 800€. Calcule o excesso de procura.
Com :
Excesso de procura = 900 arrendamentos.
c)Quais os efeitos de longo prazo deste controlo de preços sobre a oferta?
No longo prazo a oferta é mais elástica, por isso a escassez agrava-se:
Os senhorios retiram casas do arrendamento (vendem-nas ou passam-nas a alojamento local) e constrói-se menos para arrendar.
A manutenção degrada-se, porque há pouco incentivo para investir em casas com renda congelada.
Surgem mercado paralelo e pagamentos “por fora”.
Cria-se rigidez: quem tem casa não sai, e quem procura não encontra.
A utilidade do André é , em que é o número de cervejas. O preço da cerveja é 0.
a)Quantas cervejas maximizam a utilidade do André?
b)A partir de quantas cervejas passa a ter utilidade negativa?
Com 10 cervejas, . A partir da 11.ª cerveja, a utilidade é negativa.
c)A partir de que cerveja a utilidade marginal passa a ser negativa?
para : a partir da 6.ª cerveja.
Por diferenças: .
d)Explique a diferença entre as alíneas b) e c).
A c) é sobre a utilidade marginal: a partir da 6.ª, cada cerveja extra reduz a satisfação. A b) é sobre a utilidade total: só a partir da 11.ª é que o André fica pior do que se não tivesse bebido nenhuma.
Entre a 6.ª e a 10.ª, a utilidade total está a descer, mas ainda é positiva.
Pelo princípio da utilidade marginal decrescente, ao aumentar o consumo esperamos:
I Reduzir a utilidade total.
II Reduzir a utilidade marginal e, consequentemente, reduzir a utilidade total.
III Reduzir a utilidade marginal, mas poder aumentar a utilidade total.
A utilidade marginal decrescente diz que cada unidade extra acrescenta menos do que a anterior. Mas enquanto a UMg for positiva, a utilidade total continua a aumentar.
Armadilha: I e II confundem “aumentar cada vez menos” com “diminuir”.
As utilidades são e , com €, € e um rendimento de 20€.
a)Complete a tabela de utilidades marginais para e .
e .
Qtd.
1
4
2
6
1,5
2
2
1
4
1
3
0
0
2
0,5
4
−2
−1
0
0
Por diferenças: = 5, 3, 1, −1 e = 7, 5, 3, 1.
b)Em qual das funções a utilidade marginal é decrescente?
Nas duas. Ambas são parábolas viradas para baixo, e a UMg desce 2 por cada unidade a mais.
c)Qual o cabaz ótimo?
Condição de ótimo e restrição orçamental:
O orçamento é mesmo uma restrição: os pontos de saciedade (, ) custariam 22€, mais do que os 20€ disponíveis.
Em unidades inteiras: os cabazes e dão ambos , um pouco abaixo do ótimo contínuo (). Se o professor usar a tabela com unidades inteiras, qualquer um dos dois é aceitável, desde que se explique o raciocínio.
Na análise microeconómica, o cabaz ótimo para o consumidor:
I É o preferido de entre todas as escolhas do consumidor.
II É aquele preferido de entre os cabazes que o consumidor pode comprar.
III É o mais barato do conjunto admissível.
O ótimo é o cabaz preferido dentro do conjunto admissível (os cabazes que o consumidor consegue pagar). Não é o preferido de todos os cabazes imagináveis (I), e não é necessariamente o mais barato (III).
Quais das afirmações estão de acordo com o cabaz ótimo?
I É o que não envolve utilidade negativa.
II É o cabaz mais barato de que o consumidor gosta.
III É o cabaz da curva de indiferença mais elevada que o consumidor pode alcançar.
Graficamente, o ótimo é o ponto onde a restrição orçamental toca a curva de indiferença mais alta possível. Não ter utilidade negativa (I) e ser barato (II) não definem o ótimo.
A UMg é o declive da utilidade total, por isso a UT desce exatamente quando a UMg é negativa. Preços e rendimento mudam o que o consumidor pode comprar, não a função de utilidade.
Três curvas de indiferença representam utilidades de 10, 20 e 30.
Gráfico ilustrativo: a ficha diz que o gráfico é dado pelo docente. Este é um exemplo com a mesma ideia.
a)Identifique a curva que corresponde a cada utilidade.
Quanto mais afastada da origem, maior a utilidade, porque tem mais de ambos os bens: A = 10, B = 20, C = 30.
b)Justifique a forma das curvas (inclinação negativa e convexidade).
Inclinação negativa: para manter a mesma utilidade, se o consumidor tem mais de um bem tem de ter menos do outro.
Convexidade: a taxa marginal de substituição é decrescente. Quanto mais X o consumidor tem, menos Y está disposto a dar por uma unidade extra de X. Os consumidores preferem cabazes equilibrados a cabazes extremos.
Compare uma curva de indiferença em ângulo reto (em forma de L) com uma reta de inclinação constante.
a)Qual representa bens perfeitamente complementares? Justifique com um exemplo.
A curva em L. Os bens só dão utilidade em proporção fixa: uma unidade extra de um deles, sozinha, não serve para nada. Exemplo: sapato esquerdo e sapato direito, ou armações e lentes de óculos.
b)Qual representa bens perfeitamente substitutos?
A reta. O consumidor troca um bem pelo outro sempre à mesma taxa (TMS constante). Exemplo: uma moeda de 1€ e duas de 50 cêntimos, ou duas marcas de água que lhe são indiferentes.
Considere a utilidade total do consumo de bolachas:
0
1
2
3
4
5
6
UT
0
5
9
12
14
15
14
a)Represente graficamente a utilidade total.
Utilidade total
b)Represente graficamente a utilidade marginal.
:
1
2
3
4
5
6
UMg
5
4
3
2
1
−1
Utilidade marginal
c)Como evolui a utilidade marginal? Que princípio ilustra?
Desce sempre (5, 4, 3, 2, 1, −1): é o princípio da utilidade marginal decrescente. A utilidade total sobe enquanto a UMg é positiva, atinge o máximo em (saciedade) e desce quando a UMg fica negativa (6.ª bolacha).
Um consumidor racional verificou que . O que deve fazer?
O último euro gasto em X dá mais utilidade do que o último euro gasto em Y, por isso deve passar euros de Y para X. Ao fazê-lo, desce e sobe, até as duas razões ficarem iguais.
A d) é exagerada: não há razão para deixar de comprar Y.
A utilidade da Sofia é , em que são cafés e croissants. €, € e o rendimento é 20€.
a)Determine o cabaz ótimo.
Utilidade: .
b)Se o preço do croissant subir para 4€, qual o novo ótimo?
Utilidade: .
c)Interprete o efeito desta subida de preço sobre o bem-estar do consumidor.
O bem-estar cai para metade (de 50 para 25): a subida do preço reduz o rendimento real da Sofia, que consegue comprar menos com os mesmos 20€. Compra metade dos croissants e mantém os cafés, porque com gasta sempre 10€ em cada bem.
Um consumidor tem 120€ e consome X (8€), Y (4€) e Z (2€). Complete a tabela de utilidades marginais por euro e determine o cabaz ótimo, sabendo que: , , , , , .
Enunciado inconsistente: com estes dados, o cabaz onde as UMg por euro se igualam custa 64€, não 120€. Provavelmente o rendimento original era 64€. Vê a resolução e confirma com o professor.
Bem (preço)
Unidade
UMg
UMg / P
X (8€)
3.ª
40
5
X (8€)
4.ª
24
3
Y (4€)
5.ª
20
5
Y (4€)
6.ª
12
3
Z (2€)
10.ª
10
5
Z (2€)
12.ª
4
2
As UMg por euro igualam-se (todas = 5) no cabaz X = 3, Y = 5, Z = 10, que custa:
Com 120€, o consumidor compraria mais de cada bem, mas os dados não chegam: a próxima igualdade (UMg/P = 3 em X = 4 e Y = 6) não tem par em Z. Com um rendimento de 64€, a resposta é (3, 5, 10).
A utilidade é , com € e um rendimento de 60€. Derive a procura individual de X para = 1€, 2€, 3€ e 6€, e represente graficamente a curva da procura de X.
Com , gasta-se metade do rendimento em cada bem.
Metade do rendimento (30€) vai para X: , logo
1€
2€
3€
6€
30
15
10
5
15
15
15
15
X = 30 / Px
A curva da procura é decrescente: uma hipérbole com elasticidade unitária, porque a despesa em X é sempre 30€. Cada ponto da curva é o cabaz ótimo para um preço diferente.
Não há exercícios neste filtro.
Escolha múltipla
Treino rápido
Perguntas ao calhas dos capítulos que escolheres, uma de cada vez. As erradas não descontam.